Autora mineira leva prêmio



CARLOS ANDREI SIQUARA
Publicado no Jornal OTEMPO em 26/01/2013

Lançado em 2011, "Da Arte das Armadilhas" (Companhia das Letras), segundo livro da escritora Ana Martins Marques, 35, foi confirmado ontem como o vencedor do prêmio Alphonsus de Guimaraens, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), no ano passado, na categoria poesia.
O novo resultado, que deverá ser publicado no Diário Oficial, na segunda-feira (28/1), anula a decisão anterior que havia laureado a robusta antologia "Poesia (1930-62)", de Carlos Drummond de Andrade, organizada por Júlio Castañon Guimarães e publicada pela editora Cosac Naify.

A mudança, declarada após reunião dos jurados do prêmio, a qual ocorreu anteontem, vem na esteira de uma onda de duras críticas.

Uma delas veio a ser conhecida por meio do posicionamento da diretoria da União Brasileira de Escritores (UBE), via ofício que solicitava ao presidente da FBN, Galeno Amorim Júnior, uma reavaliação do concurso. Além desse pedido formal, circulou também pela internet uma petição pública, exigindo a anulação do prêmio Alphonsus de Guimaraens, seguido da realização de um novo procedimento.

As queixas se baseavam nos próprios critérios de seleção do edital do programa que deixa claro ser apenas possível disputar o prêmio livros inscritos pelos autores ou pelas editoras, "mediante autorização por escrito deste, que deverá ser anexada à ficha de inscrição", defende o documento.

A partir disso, foi argumentado que o escritor Carlos Drummond de Andrade não poderia disputar o concurso, uma vez que ele faleceu em agosto de 1987, há 25 anos. Segundo a nova vencedora, a notícia chegou até ela pela própria imprensa. "Fiquei sabendo da premiação através de uma jornalista e recebi a notícia com muita alegria", conta Ana Martins Marques. Em relação a atitude da
Fundação Biblioteca Nacional de rever o resultado, ela avalia como "muito acertada".

"Por mais méritos que tenha a publicação de uma edição crítica de Drummond - e a edição organizada pelo Júlio Castañon Guimarães é um trabalho de fôlego, que merece todo reconhecimento -, o propósito claramente é premiar o autor, e não o organizador ou o editor. Havia muitos livros interessantes na disputa, e o sentido de um prêmio como esse, me parece, é sobretudo dar visibilidade à produção contemporânea", conclui Marques.

Embora até o fechamento desta edição, a poeta ainda não havia sido comunicada oficialmente pela FBN, a assessoria de imprensa da instituição garantiu que esta decisão é definitiva. De acordo com o departamento, até a próxima segunda-feira, uma nota explicativa também deverá ser publicada no site da Biblioteca Nacional.

Aclamada como um dos nomes expoentes da literatura brasileira, Ana Martins Marques acrescenta que não tem previsão de quando irá lançar um outro título, apesar de ter publicado alguns novos poemas em jornais e revistas. "Ainda não tenho planos para um novo livro. No momento estou às voltas com o doutorado, e não tenho me dedicado muito à poesia. As pessoas em geral acham que escritores são pessoas que têm facilidade para escrever, mas talvez seja justamente o contrário. Não tenho pressa para publicar novamente", diz Marques.

dica da escritora Fátima Soares Rodrigues