16 de fevereiro de 2013

Entrevista - Luisa Geisler

No começo do mês publicamos a revista Concursos Literários N. 2 e, para que ninguém deixe de ler as entrevistas com autores que têm uma bela experiência para compartilhar (vencedores do Prêmio SESC, que garante a publicação da obra pela editora Record), vamos publicá-las por aqui também.

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Luisa Geisler é autora de Contos de mentira (Record, 2011), vencedor do Prêmio SESC de Literatura e finalista do Jabuti. Seu romance de estreia, Quiçá (Record, 2012) venceu o Prêmio SESC de Literatura e foi finalista do Prêmio Machado de Assis. Estuda Ciências Sociais (UFRGS) e Relações Internacionais (ESPM/RS). Nasceu em 1991 em Canoas/RS.


 Luisa Geisler, escritora gaúcha vencedora do Prêmio SESC em 2010 e 2011.


CL: Quais autores(as) você mais gosta de ler? Há algum(a) que sirva de inspiração ou referência? 

Luisa: Gosto de Hemingway e Tchekhov pelo realismo bem trabalhado que apresentam: a clareza de linguagem, o narrador pouco intromissivo e subtexto. Esses dois são minha referência para o texto bem escrito. Gosto de James Joyce, Gabriel García Márquez, Edgar Allan Poe por serem autores que me formaram como leitora, e sempre foram de uma forma ou de outra, referência, em termos criativos e de linguagem. Entre vivos, hoje gosto muito do trabalho do André Sant’anna, André de Leones e Luiz Ruffato por terem um escrever muito atual, uma linguagem informal, mas literária e confortável.


CL: Quando você descobriu que tinha talento para a escrita?

Luisa: Não enxergo escrever algo como resultado de talento, mas sim de esforço. Desde pequena, eu gostava de escrever, sei lá. Não sei quando foi que tomei consciência de escrever ser “algo meu”, me apropriei. Sempre gostei, tinha diários, gostava de redação e tal e tal. E lia muito. Acho que a descoberta foi em algum lugar na oficina de criação literária que fiz com Luiz Antonio de Assis Brasil. Por isso que enxergo o escrever como resultado de trabalho — não que uma dose de subjetividade não se envolva, mas há uma melhora notável nos meus textos ao longo do tempo.


CL: Em que momento você decidiu tornar a escrita um ofício?

Luisa: Em torno do meio da oficina, quando terminei o original do Contos de Mentira, quando entendi o mercado editorial, aí assumi que queria ser escritora. Sempre com um pé atrás. Sempre com um “e eu vou pagar minhas contas como?” e com uma compreensão de que era muito difícil. Quando o Contos de Mentira foi publicado, a possibilidade concretizou, mas ainda não dizia muito em termos financeiros. Ou seja, não dizia muito pra minha mãe (com quem eu ainda moro). Foi bom pra minha autoestima, comecei a escrever o Quiçá sabendo que alguma editora ia querer, entrei no mercado literário, me afirmei melhor. Daí eu comecei a ver escrever como uma carreira, não algo “escrevo um livro volta e meia quando a universidade não suga minha alma”.

Contos de Mentira, Prêmio SESC 2010.


CL: Quais eram seus objetivos quando decidiu tornar-se uma escritora?

Luisa: Não sei? Acho que meu maior sonho, na época em que comecei, era publicar meu primeiro livro. Talvez fosse esse meu objetivo — não sei se escritores precisam ter objetivos.


CL: Os seus livros Contos de Mentira e Quiçá foram vencedores do Prêmio SESC de Literatura - 2010 e 2011. Você acredita que estas premiações ajudaram a encurtar o caminho para estes objetivos?

Luisa: Ganhar um prêmio dessa categoria mostra que o autor iniciante está no caminho certo, prova que não é só a mãe, o pai, o cachorro e a vizinha que gostam do que ele escreve. Um prêmio como o SESC te dá o aval necessário para entrar no mercado literário, mais do que a publicação em si. Muitos escritores publicam um primeiro livro de qualidade, mas só serão lidos ou valorizados no terceiro. Enxergo que, sim, ajudaram a encurtar o caminho pra alguma forma de reconhecimento, mas sempre há muito a fazer

O romance Quiçá, Prêmio SESC 2011.


CL: Mesmo após estas premiações, você encontrou muitas dificuldades no processo de publicação e distribuição?

Luisa: Depois do primeiro Prêmio SESC de Literatura, ainda havia algumas dificuldades de publicação. Com o segundo Prêmio SESC de Literatura (mais a seleção da Granta na edição “Os Melhores Jovens Escritores Brasileiros”), ficou bem mais fácil, inclusive com o interesse de mais de uma editora. Mas não são todos os prêmios que geram esse tipo de demanda editorial, e nem sempre são promessa de nada. Depende da forma de divulgação dos vencedores.


CL: Quais são os maiores desafios na carreira de uma escritora?

Luisa: No meu caso, o meu maior desafio é me organizar pra conseguir escrever com certa rotina. É muito fácil se perder em coisas da faculdade, profissionais e da vida pessoal. Muitas vezes o horário que eu tenho reservado pra escrita é o único horário disponível do dentista, sabe? E ninguém vai me cobrar para escrever, eu não tenho “chefe” ou prazo, eu tenho que instituir tudo isso e me cobrar.


CL: Quais são os seus projetos literários para o futuro?

Luisa: Concluir meu próximo romance, espero que até o final deste ano. Lançá-lo, creio que deixo pra 2014.


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Agradecemos à autora por ter concedido esta entrevista e esperamos que vocês tenham gostado!