Entrevista - Rafael Gallo

Na segunda feira publicamos a revista Concursos Literários N. 2 e, para que ninguém deixe de ler as entrevistas com autores que têm uma bela experiência para compartilhar (vencedores do Prêmio SESC, que garante a publicação da obra pela editora Record), vamos publicá-las por aqui também.

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Rafael Gallo é autor de Réveillon e outros dias (Record, 2011), vencedor do Prêmio SESC de Literatura. Nascido em 1981, em São Paulo/SP, Rafael é escritor, compositor, designer de som e atua como docente no curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mais informações podem ser encontradas no site oficial do autor: www.rafaelgallo.com.br.



Rafael Gallo, escritor paulista vencedor do Prêmio SESC de Literatura 2011.




CL: Quais autores(as) você mais gosta de ler? Há algum(a) que sirva de inspiração ou referência?

Rafael: Acho que os que eu mais gosto e os que mais me influenciam são praticamente os mesmos: Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Machado de Assis, Júlio Cortázar, Drummond, Manuel Bandeira... Além disso, sou bastante influenciado por autores de outras linguagens, como Michael Haneke e Stanley Kubrick, do cinema; ou Noel Rosa, Chico Buarque e Aldir Blanc, das canções.


CL: Quando você descobriu que tinha talento para a escrita?

Rafael: Hmmm... pergunta difícil (risos). Eu sempre gostei muito de atividades criativas e artísticas em geral. Sempre gostei muito da criação de histórias e da discussão de ideias. Isso me fez, mesmo dentro da minha formação em música, sempre valorizar muito o texto. Minha primeira escrita mais séria foi ao fazer as letras de minhas composições e tentar criar coisas diferenciadas. A partir daí eu talvez tenha percebido e aprimorado a qualidade de meu texto. Só mais tarde resolvi, impulsionado pelo meu gosto por literatura, me dedicar à escrita literária. E novamente pensei que podia funcionar.


CL: Em que momento você decidiu tornar a escrita um ofício?

Rafael: Pode parecer estranho, mas acho que posso dizer que só tive 100% de certeza disso após ganhar o Prêmio SESC. Até então, apesar de minha grande vontade de escrever e publicar livros, eu ainda não tinha grande segurança em encarar isso como um ofício. O Prêmio realmente me confirmou como autor, não só do ponto de vista editorial, mas pessoal também.


CL: Quais eram seus objetivos quando decidiu tornar-se um escritor?

Rafael: Eu acho que o mesmo de todos os que decidem tornarem-se escritores (ou pelo menos os que fazem isso baseados em uma relação séria com a literatura): poder contar nos livros as histórias que acredito valerem a pena serem contadas, da melhor forma que eu puder. Acho que grande parte da minha formação intelectual e emocional vem do que li; eu queria fazer parte desse fluxo e, quem sabe, cooperar com a formação de outras pessoas também. Enfim, jogar nesse time.


CL: O seu livro Réveillon e outros dias foi vencedor do Prêmio SESC em 2011. Você acredita que esta premiação ajudou a encurtar o caminho para estes objetivos?

Rafael: Definitivamente! O Prêmio e a publicação pela Record são um sonho realizado. A diferença que essa premiação fez na minha vida, como escritor, é imensurável. Se eu não tivesse ganhado, talvez deixasse de escrever com o passar do tempo, não sei. Porque o caminho para a publicação às vezes pode ser árduo demais.

Réveillon e outros dias, Prêmio SESC 2011.


CL: Mesmo após esta premiação, você encontrou muitas dificuldades no processo de publicação e distribuição?

Rafael: Eu ainda não posso falar muita coisa sobre isso, porque ainda nem tentei publicar outra coisa além do livro vencedor, o Réveillon e outros dias. Mas sei que o Prêmio, a principio, não me garante um caminho seguro para publicação e distribuição para sempre. Claro que a publicação pela Record - consequência direta do prêmio - foi impecável nesses aspectos, mas nos próximos livros a luta, de certa forma, recomeça.


CL: Quais são os maiores desafios na carreira de escritor?

Rafael: Eu acho que existem duas esferas de desafio; a primeira é relativa à própria escrita: esforçar-se para criar histórias diferenciadas, estruturar a narrativa e os personagens de maneira eficiente, escrever cada vez melhor, etc. A outra esfera se relaciona aos aspectos do mercado editorial: conseguir uma boa publicação e distribuição (o que, em geral, está ligado a uma grande editora, de difícil acesso) e também conseguir chamar a atenção para seu trabalho (pelo menos o bastante para garantir seu lugar ao disputado sol do mercado editorial) dos editores, da mídia, e principalmente dos leitores, já que o hábito da leitura ainda é bastante fraco no Brasil. 


CL: Quais são os seus projetos literários para o futuro?

Rafael: Continuar escrevendo e publicando sempre. Agora estou trabalhando em um romance, que é o livro que planejo ser o sucessor do Réveillon e outros dias. Tenho escrito mais alguns contos, mas esses provavelmente vão ficar mais para o futuro.




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Agradecemos ao autor por ter concedido esta entrevista e esperamos que vocês tenham gostado!