Entrevista - Autor-Leitor - Rafael A S Dico

Rafael A S Dico tem 50 anos, é escritor e acessa este blog sempre que possível. Ele conseguiu sua primeira publicação recentemente, quando uma de suas poesias foi selecionada em um concurso literário.

Até aqui, um resumo biográfico muito parecido com o de grande parcela dos nossos autores. No entanto, o que diferencia a história do Rafael é o seguinte: até pouco tempo atrás ele estava em situação de rua.

Atualmente, o Rafael está em uma pensão subsidiada pela Fundação de Ação Social de Curitiba - FAS, mas segue buscando alcançar seu espaço - para morar e na literatura, pois, segundo o próprio, ele ainda tem muito combustível para queimar!

Considerando a importância de acolher, conhecer e entender vozes como a do Rafael, fiz esta breve entrevista com ele:

- Quando você começou a escrever?
Sempre tive vontade de escrever, desde os tempos de colégio. Mas pobre tem que pensar primeiro no pão de cada dia. Por incrível que pareça, foi a situação de rua que me fez retomar este antigo sonho.

- E foi a partir deste momento que você começou a escrever?
Sim, foi a partir daí, como uma válvula de escape, uma forma de me agarrar em alguma coisa, e, ao mesmo tempo, estar fazendo algo que me satisfizesse e que eu sempre quis, mas que na correria da vida nunca havia podido parar para fazer.

- E você escreve que tipo de texto?
Comecei com poesia, tenho um livro pronto disso, não publicado e concorrendo em concurso. É uma composição de 130 páginas, foi o primeiro que fiz. Depois escrevi alguns contos maiores, mas para o projeto de publicação, me resolvi por microcontos porque gosto do desafio do estilo, que é bem difícil diga-se de passagem. Mas o próximo passo é um livro de contos mais extensos, ou um romance.

- Quando você descobriu os concursos literários? Como foi que chegou até eles?
Creio que descobri os concursos escrevendo a palavra “literário” no Google. No blog Concursos Literários, por exemplo, eu devo estar inscrito desde que caí na situação de rua, recebo as newsletters e tal, mas só pude aproveitar mesmo é com incentivo e apoio da equipe que está me ajudando. Na rua, sem ter algum apoio, você não faz nada, por mais que tenha a maior vontade.

- Já teve algum trabalho publicado em antologia ou coletânea?
Eu escrevo há uns 4 anos, mas comecei a divulgar meus trabalhos em concursos só da metade deste ano para cá. Estou em vários concursos literários Brasil afora e até no exterior, mas ocorre que estes concursos que abrem na metade do ano só dão resultado de outubro em diante. Estou aguardando, mas não tenho pressa. Outro dia recebi uns livros em que fui incluído numa coletânea de poesias na cidade de Campo Grande - MS.

- Você usa o pseudônimo Ackel Akel, de onde vem a inspiração para a escolha deste pseudônimo?
Não uso só ele, mas este é o nome do meu anjo da guarda, que apesar de parecer que sim, pela minha história; ele nunca me abandonou nem um minuto na vida, ou eu nem estaria aqui dando esta entrevista.

- E quais os planos daqui para a frente?
Estou tentando sair da situação de vulnerabilidade social, já estou morando numa pensão subsidiada pela FAS e pelo governo do Paraná, mas meu objetivo não é me acomodar, é sair, ter meu próprio lugar de novo, e mostrar que tenho muito combustível a queimar ainda.


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Um dinossauro pelo buraco da agulha

Anabelle Retondario é uma professora e estudante de Curitiba que conheceu o Rafael durante uma ação do projeto Rango de Rua. E ela está dando a maior força para que ele realize o sonho de publicar seu primeiro livro, de microcontos, intitulado Um dinossauro pelo buraco da agulha.

Se você quer ajudar o Rafael a publicar seu primeiro livro, acesse:
https://www.catarse.me/contosderua.

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