Extinção do Prêmio Cidade de Belo Horizonte


Escritores do Coletivo 21 protestam junto à FMC pela extinção do Prêmio Cidade de Belo Horizonte, um dos mais tradicionais do país.

Os que tiverem interesse em aderir à causa devem enviar o nome completo para: adriano@nascentescomunicacao.com.br




Reproduzimos aqui a Carta protesto do Coletivo 21: 


Belo Horizonte, 6 de julho de 2011.

Exma. Sra.
Thaís Pimentel
Presidenta da Fundação Municipal de Cultura (FMC) da PBH
Rua Sapucaí, 571, bairro Floresta
Belo Horizonte – Minas Gerais

Prezada Thaís,


Na qualidade de cidadãos e integrantes do Coletivo 21 – grupo de escritores brasileiros nascidos em Minas Gerais e residentes nesta capital – vimos, por meio desta CARTA ABERTA (que será veiculada na internet e estará sujeita a adesões), manifestar nossa insatisfação em relação à não realização dos concursos nacionais de literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte e Prêmio João-de-Barro, em 2010 e, por ora, em 2011.

Incorporado à tradição cultural do nosso município, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte foi instituído pelo Decreto nº 204/47, em 1947, durante as comemorações do cinquentenário de BH, tendo se firmado, nestas seis décadas, como o mais antigo e tradicional concurso literário do país, premiando e revelando poetas, contistas, romancistas, ensaístas e dramaturgos. Já o Prêmio João-de-Barro foi criado pelo Decreto nº 2.613/74 e logo se consagrou como referência nacional no âmbito das premiações literárias destinadas àqueles que escrevem para crianças e jovens.

Lembramos que Belo Horizonte é por natureza uma cidade de escritores, cenário frequentado ao longo dos tempos por autores do porte de Anibal Machado, Alaíde Lisboa de Oliveira, Carlos Drummond de Andrade, Cyro dos Anjos, Eduardo Frieiro, Fernando Sabino, João Guimarães Rosa, Murilo Rubião, Oswaldo França Júnior, Pedro Nava, Roberto Drummond e Wander Piroli, para citar apenas alguns daqueles que se destacam entre os maiores expoentes da literatura brasileira, tradição que se renova e se mantém hoje.

Sem dúvida, os dois concursos literários promovidos pela PBH ajudaram a consolidar nacionalmente nosso município como referência cultural, terra de intelectuais e artistas, capital de luzes e ideias. Não podemos concordar que, por motivos não colocados a público, não discutidos com quaisquer das partes interessadas, a tradição que aqui se firmou, estimulando e revelando grandes talentos das letras nacionais de diferentes gerações, de Autran Dourado a Antônio Barreto, Duílio Gomes, Carlos Herculano Lopes, Francisco de Morais Mendes, Jeter Neves e Luís Giffoni, seja agora interrompida unilateralmente e sem explicações.

Lembramos que, além de consagrar talentos literários, os prêmios Cidade de Belo Horizonte e João-de-Barro também ajudaram a promover os realizadores, servindo de instrumento para reforçar nacionalmente a imagem da cidade e a reputação de secretários e prefeitos como gestores públicos sensíveis no trato com a cultura e a educação. Estas ações transmitem a mensagem de compromisso com os autores que refletem o mundo contemporâneo, a preocupação com a perenidade do "fazer literário", o incentivo à leitura e a democratização do conhecimento, além de fortalecer o principal elo da cadeia produtiva do livro, ou seja, a criação.

Ao longo de décadas, os prêmios Cidade de Belo Horizonte e João-de-Barro mobilizaram autores em todo o país, além de intelectuais de reconhecida competência envolvidos nas comissões organizadoras e julgadoras. Prêmios literários integram o cenário cultural de municípios, estados e da União, convivendo e reforçando políticas de publicações e a realização de eventos que visam contribuir para o desenvolvimento espiritual do povo e para a ampliação do mercado editorial no país.

Mesmo que algumas pessoas a considerem a menos popular das artes – do ponto de vista comercial –, há que se reconhecer que a literatura perpassa a construção e a manutenção do imaginário regional e nacional, sendo, por isso mesmo, fundamental para firmar a identidade cultural dos povos, principalmente em tempos de globalização. Da oralidade ao texto impresso, em forma de livro ou adaptada para teatro, televisão e cinema, a literatura capta, registra e manifesta o modo de ser, agir e pensar do povo que a originou.

Portanto, vimos publicamente manifestar nossa contrariedade com a inexplicável atitude da FMC e reivindicar – como escritores e cidadãos belo-horizontinos que aqui moram e pagam seus impostos – a manutenção dos concursos literários Cidade de Belo Horizonte e João-de-Barro. No nosso entender, de modo diverso, os dois prêmios literários devem não apenas ser mantidos, mas, em honra da nossa tradição literária, ser tombados como patrimônio cultural e espiritual do município de Belo Horizonte.


Atenciosamente,

Adriano Macedo
Antônio Barreto
Branca Maria de Paula
Caio Junqueira Maciel
Carlos Herculano Lopes
Cláudio Martins
Cristina Agostinho
Dagmar Braga
Duílio Gomes
Francisco de Morais Mendes
Jaime Prado Gouvêa
Jeter Neves
Jorge Fernando dos Santos
Leo Cunha
Luís Giffoni
Malluh Praxedes
Neusa Sorrenti
Olavo Romano
Ronald Claver
Ronaldo Guimarães
Ronaldo Simões Coelho