Notícia - Drummond no centro de polêmica

Polêmico em vida, o poeta Carlos Drummond de Andrade está no centro de uma pendenga alheia aos méritos de seu trabalho. Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62, livro publicado em 2012 pela Cosac Naify, recebeu o Prêmio Literário da Biblioteca Nacional – um certame voltado para autores vivos.

O prêmio, cuja relação de vencedores foi divulgada no dia 21 de dezembro, tecnicamente só aceita inscrições feitas pelo autor do livro, ou pela editora, desde que expressamente autorizada por escrito pelo autor. Organizado por Júlio Castañon Guimarães, o livro é uma edição crítica que compila os 10 primeiros títulos de Drummond. Na ficha de inscrição, o diretor executivo da Cosac Naify, Bernardo Ajzenberg, aparece como autor da obra por ser o detentor dos direitos autorais – algo refutado pelo próprio Ajzenberg, que não é nem o autor dos poemas nem do trabalho de organização crítica.

A categoria Poesia foi julgada por Carlito Azevedo, Leila Miccolis e Francisco Orban. Orban e Azevedo se manifestaram dizendo que a responsabilidade por garantir a legitimidade da inscrição da obra deveria ser da organização, não do júri. Em sua página no Facebook, Azevedo defendeu a decisão, depois de ressalvar que os próprios jurados questionaram a organização sobre se o livro de Drummond poderia concorrer. “A resposta foi que sim, pois não se tratava simplesmente de mais uma nova reedição de suas poesias, mas sim a primeira edição crítica do poeta”.

Em nota oficial, a Biblioteca Nacional anunciou que a homologação dos vencedores está suspensa até a análise dos recursos contra o prêmio, o que deve ocorrer nos primeiros dias de janeiro.


Fonte:



Painel das Letras: Por que Drummond


A poeta Leila Míccolis, integrante do júri que escolheu “Carlos Drummond de Andrade: Poesia 1930-62”, da Cosac Naify, como vencedora do Prêmio Biblioteca Nacional de Literatura, diz que preferia ter premiado um poeta vivo. “Eu tinha outra escolha, mas respeitei a decisão coletiva.” Seu colega de júri Francisco Orban avalia que caberia à organização decidir se o livro estava habilitado ou não —já que, pelo edital, a inscrição só poderia ser feita pelo autor ou pela editora com autorização por escrito do autor. A BN já manifestou que só analisará o caso se houver recurso de algum concorrente.


Fonte:
http://abibliotecaderaquel.blogfolha.uol.com.br/2012/12/29/painel-das-letras-por-que-drummond/