Vigência e prestígio do Prêmio Literário Casa das Américas

Mireya Castañeda

Publicada no portal Granma


A quantidade enorme de livros enviados para optarem pelo Prêmio Casa 2013, mais de 700, revela o interesse e o prestígio que mantém entre os escritores de Nossa América.

Esta foi a primeira consideração feita pelo presidente da Casa das Américas, o poeta e ensaísta Roberto Fernández Retamar, ao apresentar à imprensa as estatísticas preliminares de obras que optam pelo Premio em sua 54ª. edição, cujos trabalhos circularam de 21 a 31de janeiro.

Durante o encontro na Sala Manuel Galich dessa insittuição, as precisões estiveram a cargo do diretor do Centro de Pesquisas Literárias (CPL), Jorge Fornet.

As cifras adiantadas nos gêneros concursantes neste ano: Novela (172), Poesia (322), Literatura testemunhal (56), Ensaio histórico-social (42), Literatura brasileira (158), e Prêmio Extraordinário (20), para um total de 770 obras, o que faz desta edição — disse Fornet — a quarta maior do Prêmio.

“O país com maior número de concursantes é a Argentina com 200 livros, seguido pelo Brasil 158, Cuba 122, Colômbia 63, Chile 64 e Peru 38”.

Fornet também apresentou a longa lista de escritores, ensaístas e pesquisadores que, após intensas jornadas de leitura, selecionaram os Prêmios Casa 2013, dos quais assinalamos alguns por gênero.

Em Poesia participa o uruguaio Rafael Courtoisie, de quem Fornet lembrou um breve poema utilizado por Mario Benedetti num exergo e Eliseo Subiela em seu filme O lado escuro do coração: “Um dia todos os elefantes se reunirão para esquecer, todos, menos um”.

A argentina Liza Josefina Porcelli Piussi, ganhadora do Prêmio Casa 2012 em literatura para crianças e jovens com seu livro Mi hermano llegó de otro planeta un día de mucho viento, é incluída na lista dos júris de Novela.

Entre os júris de Literatura testemunhal aparece a uruguaia Edda Fabbri, Prêmio Casa 2007 neste gênero com Oblivium, e em Ensaio histórico-social, o cubano Sergio Guerra Vilaboy, Prêmio Extraordinário sobre o Bicentenário 2010 com Jugar con fuego. Guerra social y utopía en la independencia de América Latina.

O amplo espectro da Literatura brasileira conta com três personalidades para julgar, Marcelino Freire, Carola Saavedra e Suzana Vargas.

Para o Prêmio Extraordinário de Estudos sobre as Culturas Originárias da América serão júris três notáveis estudiosos do tema: Esteban Ticona Alejo (Bolivia), de origem aimara, docente de antropologia política e etnografia andina; Emilio del Valle Escalante (Guatemala) de origem maia - quiché, especialista em temas de literatura indígena e movimentos sociais na América Central, e Ticio Escobar (Paraguai), estudioso da cultura guarani, fundador e diretor do Museu de Arte Indígena de Asunción, ministro de Cultura durante a presidência de Fernando Lugo. Seu texto La belleza de los otros, de 1993, foi reeditado agora pela Casa.

Escobar terá a responsabilidade das palavras iniciais das sessões do Prêmio, para converter-se no primeiro paraguaio em fazê-lo pessoalmente, já que em 1992, Augusto Roa Bastos não pôde assistir por motivos de saúde e seu discurso, Mensaje a los pueblos del mundo desde la Casa de las Américas, foi lido por Fernández Retamar.

Naquele texto, o autor de Yo, el supremo lembrava a “hecatombe de nossos povos originários, a maior e mais cruel na história de Ocidente”.

Com o Prêmio Extraordinário são iniciadas também as homenagens pelo centenário do intelectual e político guatemalteco Manuel Galich, considerado “um dos pilares da Casa”, e que foi ganhador do Prêmio Casa em 1961 com a peça El pescado indigesto.

Professor de História da América na Universidade de Havana, Galich ajudou a difundir a história e as culturas dos povos originários da região e destacam seus prólogos ás edições do Popol Vuh (1969) e de Anales de los Cakchiqueles (1967), e, sobretudo, seu volume Nuestros primeros padres (1979).

Além das conferências que oferecerão os diferentes júris e a apresentação dos Prêmios Casa 2012, podem ser apreciadas duas grandes exposições, uma dedicada a Mariano Rodríguez em seu centenário, um dos grandes pintores cubanos, que também foi presidente da instituição, intitulada Notícias de caminhantes, com desenhos específicos, documentos epistolares e fotografias, assim como obras de artistas latino-americanos relacionados com ele, e a outra Umberto Peña: retorno a um pintor visceral, aberta até março na Galeria Latino-Americana.

O Prêmio Casa continua vigente? Para Roberto Fernández Retamar “a melhor resposta é a quantidade enorme de livros enviados para optarem pelo Prêmio, mais de 700. Isto revela o interesse e o prestígio entre os escritores de Nossa América. O Prêmio revelará também novos escritores, continua sendo incentivo e motivo de alegria”.